Produção Musical

Tabacaria

A estranheza da existência e a incompreensão do real são os temas centrais desta abordagem contemporânea a um dos mais belos poemas de sempre, escrito em 1928 por Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.

Visão niilista ou uma “espécie de epopeia do fracasso absoluto”, como designou o pessoano Robert Bréchon, “Tabacaria” coloca em permanente diálogo duas dimensões opostas, que serviram de inspiração para a estruturação da obra musical e das suas texturas sonoras: a solidão interior do protagonista, lugar de pensamento, introspecção e devaneio, e a intrusão do universo exterior, observado através de uma janela para o mundo, aqui representado pela presença da voz feminina.

  1. Abertura
  2. Janelas do meu quarto
  3. Falhei em tudo
  4. Talvez tudo fosse nada
  5. Uma parede sem porta
  6. Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama
  7. Não posso querer ser nada
  8. Come chocolates pequena!
  9. Meu coração é um balde despejado
  10. Como um lagarto a quem cortam o rabo
  11. Sempre o impossível tão estúpido como o real
  12. A metafísica é uma consequência de estar mal disposto

 

Música Luís Soldado
Texto Álvaro de Campos / Fernando Pessoa
Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção musical Rui Pinheiro
Barítono Rui Baeta
Soprano Inês Simões
Ensemble Daniela Pinheiro (flauta), Catherine Stockwell (fagote), Magda Pinto (viola), Sofia Azevedo (violoncelo)

Adaptação inédita para ópera do poema “TABACARIA” de Álvaro de Campos, para barítono, soprano e ensemble.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo.