Produção Musical

O Corvo

Através de uma notável arquitectura poética, que se assemelha a uma composição musical, Edgar Allan Poe criou um universo sombrio, onde um homem enfrenta a perda, o medo, a solidão e o vazio.

O carácter dramático e intrinsecamente musical do poema “The Raven”, construído a partir de um raciocínio profundamente matemático e traduzido de forma exemplar por Fernando Pessoa, serviu de inspiração e base estrutural para a composição desta ópera de câmara, que explora a forte dimensão visual e sonora de um dos mais extraordinários textos de Allan Poe.

O espaço cénico é habitado pelo protagonista (interpretado pelo barítono Rui Baeta), três músicos que formam uma pequena orquestra sombria e uma bailarina (Yara Cléo), cuja presença ambígua simboliza a figura da mulher morta (Leonora), a devastação interior e a própria morte.

  1. Cortina
  2. Abertura
  3. Numa meia-noite agreste
  4. A paz profunda e maldita
  5. Abri então a vidraça
  6. Ave escura
  7. Fez-se então o ar mais denso
  8. Libertar-se-á… nunca mais!


Música
 Luís Soldado
Texto Edgar Allan Poe
Tradução Fernando Pessoa
Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção Musical Rui Pinheiro
Barítono Rui Baeta
Bailarina Yara Cléo / Sara Chéu
Acordeão António Correia
Clarinete Ruben Jacinto
Violoncelo Tiago Vila
Electrónica em tempo-real José Grossinho
Produção Inestética companhia teatral

“A treva enorme fitando, fiquei perdido receando 
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. 
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, 
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais 
– Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.”

Edgar Allan Poe, ‘The Raven’, 1845